Golf:
Esporte ajuda jovens carentes
Zeca Resendes/Simon Press
Todo esporte traz uma contribuição para a sociedade. O golfe, porém, é um
esporte privilegiado, um dos poucos que permite a jovens carentes seguir
carreira e alcançar uma posição confortável nos campos de golfe, seja
cuidando do campo (greenkeeper), na administração ou até, como jogador
profissional.
E isso acontece no mundo inteiro, inclusive no Brasil, e geralmente a porta de
entrada no esporte para esses jovens é ser admitido como “caddie”, o rapaz,
ou moça, que carrega os tacos do jogador. Aos poucos, ele passa a conhecer o
campo e se torna o parceiro mais importante do jogador, orientando as jogadas, o
taco adequado para sair de determinadas situações, as áreas de entrada de
vento (que altera a trajetória da bola) e, na verdade, todos os segredos do
campo.
Os clubes permitem, às segundas-feiras, quando estão fechados, ou nas horas
ociosas, quando não há sócios, que os garotos também joguem e assim a
maioria acaba se transformando em excelentes profissionais. Basta lembrar que
dos 200 profissionais hoje no Brasil, cerca de 90% começaram como caddies. A
maioria desses profissionais ocupa a destacada posição de Head Pro
(Profissional Responsável) em clubes brasileiros. No Rio de Janeiro, há
inclusive um campo de golfe que surgiu em Japeri, por iniciativa de caddies que
moram na região.
Cada campo de golfe novo representa mais oportunidades para jovens brasileiros
da periferia.
Embora o Brasil não tenha prêmios milionários como os PGAs americanos ou
europeus, os que jogam há mais tempo já têm casa, carro e bom padrão de
vida.
Além dos clubes, as federações e a Confederação Brasileira de Golfe,
procuram estimular os garotos no desenvolvimento do esporte e os jogadores
profissionais têm tanta confiança em determinados caddies, que os levam em
viagens por todo o país e até no exterior, quando participam de competições.
Hoje e amanhã, por exemplo, acontece no país, sob a responsabilidade da
Confederação Brasileira de Golfe, o Campeonato Brasileiro de Caddies, no
Itanhangá Golf Club, no Rio de Janeiro. São jovens caddies de diversos estados
brasileiros, que começam a buscar um futuro melhor, com a projeção no
esporte.
O atual presidente da PGA (Professional Golf Association) Brasil, Antonio
Nascimento, foi caddie. O ex-presidente Luiz Martins também. Acácio Jorge
Pedro, um dos mais destacados jogadores brasileiros, idem, e sonha um dia em
montar uma creche para ajudar crianças carentes. João Corteiz (foto),
outro grande jogador brasileiro, também foi caddie.
No exterior, o espanhol Severiano Ballesteros, os argentinos Eduardo Romero e
Angel Cabrera começaram como caddies. Mas talvez o exemplo mais significante é
do argentino Vicente Fernandez que começou como caddie e anos atrás foi
convidado para ser presidente da Associação Mundial dos Profissionais de
Golfe. “O golfe me permitiu essa ascensão”, afirma Fernandez.
A política de apoiar jovens carentes sempre fez parte da política do golfe e
ganha impulso agora com o novo governo brasileiro, preocupado em descobrir
caminhos nesse sentido.